29 January 2008

MINHA VOZ


Digo o que sinto aqui por dentro,
ainda que os olhos desdigam
e o verso não contenha
em suas sílabas-caixas tão iguais,
o sentido do que percebo.
Digo o que vejo e beijo.
Preciso que o lido do que digo
seja outro mundo, se assim for.
Só digo o que quero,
ainda que seja o avesso do trânsfuga
de qualquer dizer.
No que digo há um só ser: eu
(e meus desejos).
Saramar

Imagem: Cristina Becejski

2 comments:

tita coelho said...

Intenso...Continues a dizer, a ser...deixar ser quem se é! Adorei tua poesia hoje!
beijos

Voodoo said...

Boa tarde Sara,

Que vida, a vida...
Precisaria de uma meia dúzias destas, para pensar entender alguma coisa.
Vida longa aos poetas, vida curta a vida.
bjs.